Uma criança autista não desenvolve comunicação, autonomia e interação social apenas durante a terapia.
Boa parte dessas habilidades aparece justamente nos espaços em que ela vive sua rotina. Em casa, na escola, nas brincadeiras e no contato com outras crianças.
A escola ocupa muitas horas do dia e coloca a criança diante de situações que dificilmente aparecem da mesma forma no consultório. Ela precisa pedir ajuda, acompanhar uma atividade, lidar com mudanças, esperar, se posicionar e encontrar maneiras de participar daquele grupo.
Esse contexto também precisa fazer parte do plano de intervenção.
O contato entre família, escola e equipe ajuda a compreender como a criança responde em ambientes e situações diferentes.

A intervenção não precisa ficar restrita à terapia
Durante muito tempo, a discussão sobre intervenção no autismo esteve bastante relacionada à quantidade e à intensidade dos atendimentos.
Hoje, existe também um olhar importante para a forma como alguns princípios trabalhados nas terapias podem ser levados para outros momentos do dia.
Isso não significa transformar a rotina inteira da criança em terapia.
A proposta é pensar em como determinadas habilidades podem ser estimuladas nos ambientes em que elas realmente precisam acontecer.
Se estamos trabalhando comunicação, por exemplo, não basta observar como a criança se comunica durante a sessão. Também interessa entender se ela consegue pedir ajuda na escola, demonstrar uma necessidade ou participar de uma atividade com outras crianças.
O mesmo acontece com autonomia, interação social e flexibilidade.
Essas habilidades ganham outro sentido quando passam a fazer parte da vida da criança.
O que a escola consegue mostrar sobre a criança?
Adicionar Shorts: https://youtube.com/shorts/UAnbCGnRPAc?si=QEQBhvCQ-UQCbV4k
A escola traz informações que nem sempre aparecem dentro do consultório ou mesmo dentro de casa.
É nesse ambiente que a criança convive com um grupo maior, responde a diferentes adultos, acompanha horários, participa de propostas coletivas e precisa lidar com uma rotina que nem sempre pode ser adaptada imediatamente às suas preferências.
Tudo isso ajuda a equipe a compreender melhor seu desenvolvimento.
Uma dificuldade que aparece na escola pode não aparecer durante a terapia. Uma habilidade que a família ainda não percebeu também pode surgir durante uma atividade em grupo ou no contato com os colegas.
Esse olhar de diferentes ambientes ajuda a construir objetivos mais próximos das necessidades reais daquela criança.
Na escola, habilidades e dificuldades podem aparecer de formas diferentes das observadas em casa ou durante os atendimentos.

A escola não assume o lugar da terapia
O papel da escola não é reproduzir uma sessão terapêutica nem assumir funções que pertencem aos profissionais que acompanham a criança.
A escola participa desse processo compartilhando informações, observando a criança naquele ambiente e incorporando orientações que façam sentido dentro da rotina educativa.
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Até breve!